A divisao capitalista do trabalho

Referência

Freyssenet M., “A divisao capitalista do trabalho”, Tempo social, dossier organizado por H, Hirata, Revista de Sociologia da USP (Universidade de Sao Paolo), volume 1, n° 2, 1989, pp 74-87. Edições numéricas, freyssenet.com, 2010, 70 Ko. ISSN 7116-0941. Traduzido por Helena Hirata.

Este texto é um dos quatro textos que constituem o dossiê organizado por Helena Hirata. Os quatro textos sobre divisão capitalista do trabalho, qualificação, divisão do trabalho entre os sexos e psicopatologia do trabalho, foram redigidos originalmente para servir de material de discussão para o curso “Tecnologia, processos de trabalho e políticas de emprego” efetuado no quadro do Programa de Pós-Graduação do Departamento de Sociologia da Universidade de São Paulo, no segundo semestre de 1987.

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Resumo

As pesquisas sobre a evolução do trabalho confirmavam, no início dos anos 70, uma das duas principais teses da sociologia francesa do trabalho dos anos 60. Constatava-se então, ora um reagrupamento de tarefas e de funções, repartidas previamente entre diferentes pessoas, uma recomposição do trabalho (Touraine); ora uma modificação completa, uma substituição de um sistema de trabalho por outro, de tarefas por outras em nada comparáveis às anteriores, só podendo ser analisadas em si mesmas, o que tornava impossível toda avaliação em termos de maior ou menor divisão ou recomposição (Naville). Entretanto, essas teses têm em comum o fato de utilizar o conceito de divisão do trabalho como uma categoria descritiva. Seu método consiste em verificar se, num instante T + 1, as tarefas foram divididas entre muitas pessoas em relação ao instante T.

Ora, uma tarefa pode ser dividida sem que por isso cada uma de suas parcelas exija menos savoir-faire, se o conteúdo delas for enriquecido. Inversamente, tarefas podem ser reagrupadas sem por isso requerer uma maior competência, se o conteúdo de cada uma delas for empobrecido. Finalmente, uma tarefa pode aparecer sem modificações e ter sido na verdade dividida, se uma parte de seu conteúdo for efetuada por uma máquina. Situada fora da análise sociológica, a consideração das técnicas produtivas como variável exógena determinante em relação à organização do trabalho, reduziu o conceito de divisão do trabalho a uma simples repartição das tarefas. A integração do modo de concepção das máquinas no campo de análise leva a restituir ao conceito de divisão do trabalho seu alcance sociológico.

A divisão do trabalho aparece então como um processo social conflitivo, transformando a repartição social da inteligência requerida para uma produção dada, pela concentração em um número restrito de trabalhadores do encargo de conceber instrumentos, mecanismos, automatismos e modos operatórios, podendo substituir cada vez mais a atividade intelectual dos outros trabalhadores.

Se a diversidade das qualidades solicitadas aos assalariados torna incomparáveis as tarefas que estes efetuam em períodos diferentes, a qualificação que exigem pode ao contrário ser avaliada pelo único ponto comum que elas têm entre si: o tempo de reflexão sobre a prática requerida para adquirir e manter as qualidades singulares de que necessitam, sejam estas a habilidade, a força física, a imaginação, a capacidade de ler e escrever, de raciocínio matemático etc., todas estas qualidades exigindo reflexão para ser adquiridas e empregadas. O estudo da evolução da qualificação, portanto, tem um sentido e é possível1.

Esboça-se aqui um método de análise da divisão do trabalho: este consiste em identificar, em primeiro lugar, os problemas que devem ser resolvidos para transformar um produto, para ver em seguida como se efetua a repartição social da resolução desses problemas. Segundo esta perspectiva, é necessário levar em conta a concepção das máquinas e do que incorporam. A unidade de análise não pode mais ser a tarefa, a seção, nem mesmo a fábrica ou a empresa, mas o conjunto do processo de fabricação do produto considerado, podendo englobar atividades localizadas em outros lugares, mas que concentram uma parte da inteligência necessária.

Sumário

1. O processo de desqualificação — superqualificação
2. A forma social atual de automatização

Palavras-chaves

Trabalho, divisão do trabalho, qualificação, desqualificação, organização do trabalho, lutas sociais, relatório social.

Disciplinas

Antropologia, Economia, Gestão, História, História as das Ciências e as Técnicas, Ciência de engenheiro, Sociologia.

Contexto de escrita

Contribuição para
evolução questionnement pessoal,
produção científica da rede ou o laboratório de pertença,
debate científico nacional e internacional,
divulgação dos resultados da investigação,
valorização dos resultados da investigação.

Referências, comentários, notas críticas

Herramienta, Antunes Ricardo, "La centralidad del trabajo hoy", Nº 8, Octubre de 1998
http://www.herramienta.com.ar/revista-herramienta-n-8/la-centralidad-del-trabajo-hoy

Herramienta, Antunes Ricardo, Material de discusión para el III Coloquio Internacional de Teoría Crítica: «¿Cuál crisis de la sociedad del trabajo?». Este texto corresponde al capítulo IV de Adios al trabajo?, Herramienta, 2ª. Edición
http://www.herramienta.com.ar/coloquios-y-seminarios/material-de-discusion-para-el-iii-coloquio-internacional-de-teoria-critica-cu

Pertinência actual

Ver também

Freyssenet M., Le processus de déqualification-surqualification de la force de travail, CSU, Paris, 1974, 247 p.

Freyssenet M., “Division du travail, taylorisme et automatisation: confusions, différences et enjeux”, in M. de Montmollin, O. Pastré (dir.), Le Taylorisme, Paris, La Découverte, 1984, pp 321-333.

Freyssenet M., “La requalification des opérateurs et la forme sociale actuelle d’automatisation”, Sociologie du travail, 4/1984. pp 422-433. Édition numérique : freyssenet.com, 2007, 1,1 Ko. ISSN 1776-0941.

Freyssenet M., “Processus et formes sociales d’automatisation : le paradigme sociologique”, Sociologie du Travail, n° 4/92, pp 469-496.

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Data da aposta em internet do artigo

2010.06.30

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